domingo, 26 de setembro de 2010

Provocas-me insónias

Adormeço contigo no meu pensamento,
Provocas-me insónias!
Assim que fecho os olhos
A tua imagem apaga-se,
A tua imagem não me acompanha.
Caio num sono leve,
Os pesadelos matam-no
E fazem-no desaparecer.
Volto a passar pela insónia
Que torna a preencher o meu coração.
A insónia permanece,
Pois se não consigo sonhar contigo
Prefiro manter-me acordado.
Será que os pesadelos não têm um lado bom?
São nesses pesadelos
Que sofro, que choro, que lamento...
Mas sei que um dia irei acordar
E perceber que a mulher da minha vida
Não é um sonho,
Mas sim,
Uma realidade que tanto amo!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Rasgam-me a alma e roubam-me os sonhos

É uma história,
A história da minha vida.
Queriam que fosse o quê?
Nasci num berço de lata...
E hoje?
Hoje, decidi construir um berço de madeira.
Não há ferrugem, penso eu...
Mas existem lascas que se penetram na pele!
Quase tocam no coração,

Não lhe chegam.
Por que razão, são aqueles que mais amo

A tirar-me as tábuas do berço?
Eu sou um guerreiro em todas as suas batalhas.
Luto, rastejo, choro, imploro...
E volto a fazer tudo novamente!
Nessas batalhas,
As únicas facadas que recebo, saem das suas mãos.
Não há sangue, não há dor física,
É bastante pior!
Rasgam-me a alma e roubam-me os sonhos,
Mas eu sou forte...
Cerro os punhos em todas aquelas batalhas
E continuo a sentir o frio do Inverno,
O calor do Verão,
Deito-me sobre as folhas que o Outono deixa cair
E espirro toda a minha fraqueza na Primavera.
Entretanto,
Se me dão licença,
Vou tirar todas as facas que tenho nas costas
E lutar de frente para todos vós!

domingo, 7 de março de 2010

Fado Chorão

Sinto algo que me inquieta.
É a porta do meu fardo, tenho-a aberta.
Ouço um som, uma melodia deveras chorosa.
É uma voz, que suavidade harmoniosa.

Caminho em sua direcção,
O que é, estou perto de descobrir.
Era um fado chorão,
Mas fez-me sorrir!

Toca a guitarra, mas triste se exprime.
Toca magoada, não desiste e é sublime.
Aquela doce voz, cantava para mim,
Inspirada por acordes em pautas sem fim.

Canta fado, de voz bem portuguesa
E eu estou apaixonado!
Que a vibração da tua voz aqueça,
E não esqueça este mal amado!

São únicas, as palavras que expressas.
Essa mágoa na voz e a língua em que te confessas!
Se sentires que para sorrires não podes mais cantar,
Não cantes fado, não te irei abandonar!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Hoje és a desilusão

Roubaste-me a alma, roubaste-me a vida.
Escondeste o meu amor e não lhe mostras a saída.
Ocultaste este sorriso, abandonaste-o na rua
E agora não encontro, não encontro a Lua!
Abri o teu livro e nele quis mergulhar.
Eu tinha ainda tanto para dar...
Mas tu, não quiseste saber
E agora choro... Isto arde e faz doer!
Falta-me o ar, eras o ar que eu respirava.
Se me sentia feliz, era por ti que eu suspirava.
Eras a tal, eras a maior ilusão.
Hoje és tudo, hoje és a desilusão.
Agora sozinho, olho o céu
E a cada lágrima sinto o que mais me doeu!
Onde está o Sol, aquele que me aquece?
Onde está a Lua, aquela que nunca me esquece?
Dia e noite, de olhos postos no chão
Com medo de olhar em frente e ser vítima da escuridão.
Eu vivo para perder, eu vivo para sofrer.
Vou fugir, já só quero desaparecer!
Recorda sempre o meu nome,
Recorda às vezes o tal passado.
Há um fim para tudo
E este fim já era esperado!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A minha vítima é o meu assassíno

Fumar mata, mas é com o tabaco que sigo o meu rumo.
Vejo e logo sigo todos os seus sinais de fumo.
Saco um cigarro e acendo-o com sucesso.
Dar lume é o princípio, fumar é o processo.

Reduz-me a vida,
Penetrando nos meus pulmões.
Sou o meu próprio homicida
E ladrão dos meus poucos tostões.

Ao querer um cigarro, a minha sentença eu assino.
E sei que a minha vítima é o meu assassino!

Sem a falta de avisos, insisto em fumar...
Não sei quanto tempo mais irei durar.
Tempo esse, uma verdadeira incógnita,
Pois sou vítima de uma doença crónica.

Fumar é um acto inconsciente,
Fumar é um acto perigoso.
E sabendo que mato mais gente,
Torna-te bastante doloroso.

Ao querer um cigarro, a minha sentença eu assino.
E sei que a minha vítima é o meu assassino!

Abro um maço, procuro o isqueiro.
Não consigo deixar,
Mas preciso de o apagar,
Pois nos meus pulmões encontra-se o meu cinzeiro.

Não me destruí

Soou uma voz na minha inconsciência,
Deixei-me ser conduzido.
Passei a desconhecer os limites
E as minhas acções baralharam-se.
Tentei ser algo que sabia
Não conseguir ser
E vagueei em vão por partes destrutivas.
Pensei, fiz e sofri...
Passei no sonho e quase me destruí.
A minha intuição revela-se
E conduz-me por entre veias poéticas.
Simplifiquei a minha realidade
E, embora não toque em todos os corações,
Componho terapias culturais.
Pensei, fiz e sofri...
Passei no sonho e quase me destruí.
Deixei-me cair nas costas do Passado,
Ergui-me ao Presente de soslaio.
Serei maestro na pauta de tantas vidas
E beijarei a testa do nosso Futuro.
Ele dirá que sou alguém,
Pois pensei, fiz e sofri...
Passei no sonho e não me destruí.

sábado, 28 de novembro de 2009

A Lua

Quero voar até ao Paraíso no colo das tuas asas.
Pousada às minhas costas, voaremos até à Lua
E seremos só nós!
Um lugar somente nosso onde apenas nós dois interessamos e agimos.
Não haverão preocupações limitadas por quaisquer situações.
Sem discussões...
Sem tristezas ou desilusões.
As mãos dadas e não haverão emoções inexplicáveis.
A tua alma envolvida na minha, como dois seres num só corpo.
Dois corpos unidos e esculpidos de pura serenidade.
Posicionados de forma simples e harmoniosa,
Espalhávamos amor por todos aqueles que nos admirassem.
Sem que ninguém nos tocasse, bailaríamos no tempo
Tentando que não nos perturbassem.
E transpirávamos...
Tínhamos um puro sabor corporal.
Ficávamos tão perfeitos ao nos tocarmos enquanto bailávamos...
Quase tão perfeitos quanto o teu sorriso!
O seu coração acelarava,
Enquanto eu expirava ao seu ouvido.
Ambos soltámos tudo aquilo que sentíamos.
Palavras mágicas e frases sentidas,
Chorosas e vividas.
No fundo, éramos apenas um só ser naquela noite lunar.
Manifestámos afecto sob o poder que a Lua exercia sobre nós!

Labirinto de metáforas

Vou bloquear todo o meu desespero
E brincar com a criança que existe em mim.
Serei como um derrame de palavras,
Ou imitarei o impacto de uma gota livre
Trazida pela chuva.
Talvez faça de conta que os meus dedos
São como chamas bonitas e atraentes,
Atraídas por uma caneta
Marota que bailava entre combustível,
Desejosa de colocar a ponta
Em folhas formadas de água
E decidida em apagar as minhas ideias.
A minha criança ria-se.
Ria-se como uma ironia ignorante.
Vou fingir que sou rei,
Afim de tirar o poder ao meu cérebro sério
Para poder brincar mais vezes.
Desenharei um labirinto de palavras aromáticas
E registarei os caminhos
Com linhas inteligentes e ambiciosas.
A ignorância da minha criança adormeceu.
E amanhã?
Amanhã brincará a moral deste poeta com metáforas.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Verdade sem a censura

Tentarmos quebrar o gelo do coração destes trastes
É em vão.
Não têm cornos, marram com hastes
E se cairmos não nos levantam do chão.

O pobre vive na pura da loucura,
Eles preocupam-se com a puta da candidatura.
Pedir-lhes algo é inútil,
Pois até o mais bondoso é fútil.

No ceio de todo aquele esterco, há sempre mais uma promessa.
Emagrecem a carteira dos contribuíntes,
As carteiras dos reformados são as seguintes
E quatro anos após, não conhecem a pressa.

A gente que reme contra a pobreza!
Violência e dependência
São a sua única certeza.

São ricos e senhores da assembleia,
Não podem conhecer a prisão.
A barbaridade, neles se baseia
E são monstros da corrupção.

Desconhecem a humildade
E oferecem-nos a ditadura.
Nunca reconhecem a nossa verdade,
Até a merda consegue ser mais pura.

Tentem-me calar, mas eu não desisto.
Com todo o respeito desta minha loucura,
Isto,
É a verdade sem a censura!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Avô, Velhote

Avô, velhote...
Meu reforço, meu garrote.
Se liberdade és tu,
Então,
Prisioneiro eu sou.
Tira-me desta prisão para junto
Do conforto da tua liberdade.
Se tivesse coragem para te dizer...
Tenho em mim o medo!
O medo de não voltar a ver esse sorriso
Que tanto quero herdar.
Dá-me um abraço, avô.
Aquele abraço que move montanhas
E separa penínsulas formando ilhas!
O meu pai és tu,
O meu protector és tu...
Se tivesse coragem para te dizer...
Avô, eu amo-te!