sexta-feira, 6 de março de 2009

Infelicidade triste

Corróis-me por que razão?
Liberta-me desta prisão.
Deixa-me sozinho
A percorrer este longo caminho.
Já é difícil sem alguém
Que me queira ver bem.
É tão grande este labirinto...
E sozinho o sigo
E sozinho o sinto.
Sou tão cobarde que não consigo
Levantar-me se cair,
Respeitar-me se ferir,
Prejudicar-me se evoluir
E voltar-me se partir!
Sou indiferente,
Pois ninguém me dá a mão.
Porquê não ser semente
Se eu caio sempre no chão?
Infelicidade triste.
Por que razão ela existe?
Que dê esse lugar à felicidade
Para que eu possa libertar a minha simplicidade.

Amizade sonhadora

Sonhos, são sonhos
Que sonhados em sono
São bem tratados.
Sonhos que sonhamos
E passamos a ser amados.
Oh amizade sonhadora!
Que é feito de ti?
Não te escondas de ódios tenebrosos.
Mostra-me a força que há em ti.
Cai, solta-te e manifesta.
Fico tranquilo ao sonhar contigo,
Pois o pesadelo não presta.
Descontenta-me que haja atrocidade
E orgulho-me de ti,
Pois marcas diferença na desigualdade.
Tu sim, és verdade.
Em cada pessoa que me deste
Eu encontro a verdadeira amizade.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Natal?

Natal?
Não me faças rir...
Natal
Não é sinónimo de festa,
Mas não é antónimo de desgraça.
Não é um pretexto para receber,
Nem enviar a carta ao Pai-Natal.
Envia um ultimato a Deus.
Talvez Ele o leia,
E nos tire os pés do chão.
Natal?
Sim, é quando um Homem quer.
Mas porque não
Olhar por aquele que sofre?
Por que não acolher
O que está ao relento?
Natal?
Aí sim,
Poderias pedir a um vagabundo
Para se sentar à mesa, contigo.
Comia e bebia do teu,
Ria-se dos teus...
E poderias dizer
Que vives o Natal.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Poeta clandestino

Escondido entre papéis,
Oculto sob a sombra das palavras...
Sinto que não é esse o meu lar
Enquanto vou redigindo.
Retiro do meu caderno
Este talento clandestino.
Giram as linhas no sentido vertical
E, escrevendo num pensamento profundo
Aprofundo até bem fundo
A sensibilidade de escrever na perfeição.
Sou sonhador e idealista...
Sou poeta.
Um poeta clandestino.
Estou refugiado num talento sombrio,
Enquanto consumido por letras insignificantes.
E choro lágrimas de seda...
Não encontro justificação para cada resposta.
E se há pergunta feita,
Toda ela,
É clandestina.
E choro lágrimas de seda
Que se envolvem em mim
Querendo matar este meu talento.
E eu vou sonhando...
Até adormecer.

Anseio focar-me em ti

É suposto dizer o que sinto?
Se é, será dito,
Pois por mais que custe, eu não minto.
Envolvi-me demasiado...
Estou preso e ausente da liberdade.
Queria-te aqui,
Mas não é possível.
E, preciso parar de pensar em ti,
Mas és irresistível.
A perfeição de cada traço teu...
É mais que um simples toque
Dado pelas mãos de Deus.
Não me censures apenas por gostar de ti.
Não me desprezes,
Pois não fui eu que decidi.
Hoje,
Sou poeta por ti.
Amanhã,
Desejarei sê-lo para ti.
Temo tudo o que em ti se baseia,
E pergunto-me sempre...
Será fobia focar-me na perfeição?
Anseio focar-me em ti.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Tempo

Leva-me tempo,
Porque tempo,
Eu não te esqueci.
Leva-me tempo,
Porque tempo,
Eu anseio sair daqui.
Leva-me tempo,
Porque tempo,
No Mundo já não há festa.
Leva-me tempo,
Porque tempo,
Quero poder fazer uma pequena sesta.
Leva-me tempo,
Daqui para fora.
Leva-me tempo,
Porque tempo,
São horas de me ir embora.
Leva-me tempo,
Porque tempo,
Ando farto de padecer.
Leva-me tempo,
Porque tempo,
Estou prestes a apodrecer.
Leva-me tempo,
Porque tempo,
É tempo de respirar outros ares.
Leva-me tempo,
Porque só é tempo assim que mandares.

Sim Tu, Futuro...

O que gostaria de saber,
Sei hoje, porque ontem sabia.
Sabia ontem que se hoje o soubesse
Nada de nada saberia.
É a vida...
Seria ontem algo pior.
Fraco, desistira de tudo.
Sujo.
Invejoso para comigo, para contigo.
Para ser hoje algo melhor
Forte, combatente da vida.
Limpo.
Humilde, sempre sem te pedir nada em troca.
O que serei amanhã?
O tempo o dirá.
Mas quem melhor que tu?
Sim, Tu...
Futuro longínquo e curioso.
Tardas em chegar.
Chega e leva-me contigo!
Faz-me pisar a hipocrisia.
Faz-me alguém tão misterioso quanto tu.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Perdido

Nesta noite em que me sinto um traste,
Choro tristemente por dentro,
Ocultando a tristeza facial
Com gestos hipócritas
E perdidos.
Não existem palavras,
Para as palavras imundas
Que soltei!
Perdido...
Sinto-me perdido...
Talvez perdido esteja
Ou perdido me encontre!
A luta é tanta que me cansei!
Sinto não ter forças
E perco todo o carisma,
Perco a humildade...
Fica tudo tão negro,
Tudo tão opaco...
Simplesmente,
Quero alcançar a claridade
E perceber
Se ainda há algum espaço limpo em mim.
Será que consigo?
Talvez a minha sina seja esta!
Quem sabe?

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Na ânsia de te ter

Na ânsia de te ter,
Cometi as maiores loucuras...
Perdi a timidez que habitava em mim.
Estava confuso...
Perguntava a mim mesmo
Se a figura que representara,
Era a mesma de sempre,
Aquela figura tímida e afastada...
Ou estava presente uma nova figura?
Uma figura atrevida e sem quaisquer complexos...
Acabei por entender
Que não era nem uma, nem outra,
Mas sim, eram as duas em revelação.
Ensinaste-me e deste-me as respostas
Sobre quem sou.
Ensinaste-me a encontrar a coragem,
Ensinaste-me a ser tudo o que hoje sou...
Se tenho dívidas, é para com as tuas dádivas!
Por agora, estou-te agradecido por tudo,
Pois mais tarde as pagarei em vida.

Subi ao Paraíso

Farto de tudo...
Cansado de viver afastado de ti...
Agarrei a oportunidade
E subi ao Paraíso.
Tudo ficou tão transparente.
A sensação magnífica do teu toque,
A tua respiração,
O batimento do coração à chegada do momento...
Foi tudo tão simples e complicado.
As tuas expressões,
O cansaço visível no teu lindo rosto...
As palavras trocadas após...
Ajudaste-me a vencer o medo que me atormentava,
E os pensamentos demoníacos presentes em mim.
Duas divisórias e prazer mútuo,
Uniram-nos para sempre.
Foi tão longo o tempo em que
Vi, toquei,
Senti, entrei...
E quando o momento chegou...
O paraíso entrou e fez-nos sentir amados!